Ontem, 26/03, aconteceu por teleconferência a reunião da mesa interna da Fhemig que discutiu a Portaria Nº Nº 1677 – COVID-19 e a pretensão de fechamento do Hospital Psiquiátrico Galba Veloso e a transferência pacientes que iniciou na quarta-feira, 25/06.
Participaram da reunião pela Fhemig a diretora de gestão de pessoas, Alice Lopes e da Diretoria Assistencial (Dirass), Arthur e Ana Carolina.  
Com a presença dos servidores do hospital Psiquiátrico Galba Veloso (HGV), o médico psiquiatra Dr. Bruno Couto, a enfermeira Laura, o técnico de enfermagem  Geraldo e Joel da Manutenção. Os trabalhadores questionaram o objetivo e a forma como a Fhemig está encaminhando a desativação do HGV e a transferência para o Hospital Raul Soares.
Nessa última terça-feira, 25/03, sem nenhuma comunicação prévia oficial os servidores do Galba foram surpreendidos com a notícia de o hospital será desativado a partir do dia 25/03,  para ser transformado em vagas de leitos de casos clínicos.
Apesar da justificativa da Fhemig, de que o objetivo da desativação é para ampliar leitos para o atendimento de pacientes clínicos durante a crise de coronavírus,  os trabalhadores criticam a postura da Fhemig pelos seguintes motivos:   
As medidas estão sendo implementadas sem nenhuma discussão ou planejamento técnico;

  • No dia 25/03 comunicaram os funcionários que naquele dia 20 pacientes seriam transferidos, na parte da tarde uma van chegou e levou os pacientes para o hospital Raul Soares.  Não foi usado ambulância na transferência. Uma irresponsabilidade da Fhemig no qual agrupou pacientes diferentes numa mesma van, sem levar em consideração o histórico de cada um e sem acompanhamento de médico ou da enfermagem.
  • Não houve nenhum comunicado prévio aos médicos do Raul Soares para que houvesse algum tipo de preparo para os pacientes que estavam sendo levados. 
  • A maioria dos pacientes não tinha aval do médico responsável, através de um ofício ou relatório de transferência. 
  • Pacientes em crise que estavam chegando ao Hospital Psiquiátrico Galba Veloso estavam sendo dispensados pelo porteiro, com a orientação verbal da diretoria do hospital, sem esses pacientes terem nenhuma avaliação de um profissional da área de saúde. Houve um caso em que o paciente só foi atendido após acionar a polícia. 

Os profissionais ainda pontuaram alguns motivos que consideram a forma como os pacientes psiquiátricos foram transferidos atenta contra a dignidade desses que são acometidos por doenças mentais e não recebem um tratamento humano pela gestão Fhemig:

  • O fechamento de leitos em hospital psiquiátrico em um momento de crise e pandemia vai contra qualquer estudo ou recomendação, uma vez que nesses momentos de crises existe uma alta demanda pelos hospitais psiquiátricos. 
  • Haverá uma superlotação no Hospital Raul Soares, que não comportará a demanda do Galba Veloso. Manter as alas do Raul Soares superlotadas vai contra todas as medidas indicadas pela Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, onde se propõe evitar setores com grande aglomeração. Além do hospital não ter uma estrutura prevendo setor de isolamento, caso algum paciente apresente suspeita de estar o coronavírus. 
  • A estrutura do hospital Galba Veloso não servirá de forma adequada para o atendimento de pacientes clínicos, já que não existe instalação de pontos de oxigênio e nem mesmo pontos de tomadas elétricas na sua estrutura. Portanto, a tentativa de utilização do Galba Veloso é uma falsa alternativa que não há como implementar, ou, uma forma de colocar esses pacientes clínicos em risco em uma estrutura precária.  De forma irresponsável a Fhemig quer aproveitar os profissionais enfermagem do Galba, que há anos trabalham no atendimento psiquiátrico, no atendimento de pacientes clínicos. 

TRABALHADORES E FAMÍLIAS DENUNCIARÃO:   
A ASTHEMG e a comissão de funcionários do Galba solicitaram a imediata suspensão das transferências e a realização de uma reunião com a comissão de funcionários do Raul Soares e Galba Veloso para que possa ser rediscutido essa medida que eles estão implementando. No entanto, a Fhemig manteve a posição de continuar o processo ignorando todas as considerações que foram apresentadas. 
Para os funcionários do Galba Veloso essa postura da Fhemig demonstra um descaso dos gestores com os pacientes psiquiátricos, em nenhum outro estado houve o fechamento de leitos psiquiátricos para o atendimento do COVID-19.   
A ASTHEMG e SINDPROS junto com os funcionários do Galba decidiram pelo encaminhamento de uma denúncia, contra essa ação da Fhemig, à Procuradoria de Direitos Humanos e Saúde e aos Deputados Estaduais da Comissão de Direitos Humanos e Saúde, solicitando a revogação dessas medidas. Pedirá também que cobrem da administração da Fhemig ações concretas de combate ao coronavírus de forma responsável e planejada, mas que não coloquem em risco os pacientes. 

Deixe uma resposta